Bahia

‘Ainda sinto dores’, diz homem uma semana após levar ‘mata-leão’ de PM em banco na BA depois de confusão com gerente

“O que me incomoda até hoje é que ainda sinto dores, sobretudo no maxilar. Está bastante dolorido também no braço, no ombro esquerdo. É bem incomodativo”, diz o comerciante Crispim Terral de Souza, uma semana depois de levar um ‘mata-leão’ de um policial militar dentro de uma agência bancária de Salvador depois de uma confusão com o gerente da unidade. A confusão foi registrada em vídeo, que ele postou na internet.

Crispim deu entrevista à TV Bahia nesta terça-feira (26) para falar sobre o ocorrido. Ele relata ter sido vítima de racismo tanto por parte do gerente quanto por parte do PM. O caso ocorreu na última terça-feira (19), em agência da Caixa Econômica Federal que fica próxima ao relógio de São Pedro, no Centro da cidade.

Ele conta que a confusão começou após um dos gerentes do banco o deixar por quase 5h à espera de atendimento — ele foi ao local solicitar um comprovante de uma transação bancária. Quando ele foi reclamar, o gerente acionou a Polícia Militar e, na abordagem, um policial deu o “mata-leão” em Crispim.

O vídeo que mostra a cena foi gravado pela filha do comerciante, de 15 anos, que o acompanhou até o banco.

“Minha filha está transtornada. Ela é muito sábia e sou grato a Deus por isso. Ao filmar, ela contribuiu bastante para que todo mundo visse que, em pleno século 21, a gente ainda encontra pessoas desse tipo, doentes. Ela ficou sem entender na hora e, hoje, nem aguenta ver o próprio vídeo e, nos primeiros dias, nem estava conseguindo ir para escola e dormir”, destaca.

“Foi um ato racista, acredito 100% nisso, tanto do gerente quanto dos policiais”, relatou.

O cliente do banco disse que registrou queixa de racismo junto à Polícia Civil e à Corregedoria da Polícia Militar e que vai processar a Caixa e o Estado por conta do ocorrido.

Crispim disse que no dia da confusão, era a oitava vez que ele havia ido ao banco para tentar solicitar comprovantes bancários de transações com cheques e pedir reembolso de quantias que, segundo ele, foram retiradas de sua conta.

“Fui solicitar um suposto comprovante de pagamento de dois cheques pagos pela Caixa Econômica, sendo que os dois foram devolvidos por estar sem fundo. Também fui requerer a devolução de R$ 2.056 retirados de minha conta há dois meses, indevidamente”, contou.

“O gerente responsável pela minha conta, naquele momento, me atendeu de forma indiferente, enquanto me deixou esperando na sua mesa por 4h47 e foi atender outras pessoas em outra mesa. Indignado com a situação, me dirigi à mesa do gerente geral, que da mesma forma, e ainda mais ríspida, me atendeu com mais indiferença. Quando Pensei que não poderia piorar, fui surpreendido pelo senhor [gerente geral] com a seguinte fala: ‘Se o senhor não se retirar da minha mesa, vou chamar uma guarnição'”, relatou.

O cliente do banco contou que quando os policiais foram acionados e, quando chegaram, pediram para que ele e o gerente fossem até a delegacia para prestar esclarecimentos, mas no decorrer da situação, a exigência do gerente para que Crispim fosse algemado causou a confusão.

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